sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Efêmeros

Então vida... vivida... numa fonte interminável, que de repente se tornou apenas um riacho

Num resquício de tempo, uma nuvem que escureceu o céu

Da fonte, uma barreira entrepôs o futuro e o presente

Da mente, uma venda pairou, trazendo pensamentos confusos

Desde então existe uma batalha travada entre o real e o ideal

Dos olhos austeros, do sorriso maroto

Se fez nevoa... incertezas se colocaram entre o mundo e eu, entre o futuro e eu

Me volto então para o meu interior, o mais profundo de mim

Lágrimas ainda jorram do meu coração... inundando o profundo da alma

As minhas entranhas então se comovem

Saudades de um tempo que já se foi... mas que ainda circunda o meu ser

Do vazio da alma, um grito ecoa... dos montes, um apelo

Do dia que se fez triste em si...

Das flores que não floresceram, só sobrou um campo vazio

E o dia não amanheceu, como de costume

No intimo, um ferida que se recusa em se curar...

Ansiando por amor...

Neste intervim, o belo e profundo, se tornou efêmero e superficial

O mundo se tornou então real demais, cortante e sagaz!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Livro do desassossego - Fernando Pessoa

"Considero a vida uma estalagem onde tenho que me demorar até que chegue a diligência do
abismo. Não sei onde me levará, porque não sei nada. Poderia considerar esta estalagem uma
prisão, porque estou compelido a aguardar nela; poderia considerá-la um lugar de sociáveis,
porque aqui me encontro com outros. Não sou, porém, nem impaciente nem comum. Deixo ao
que são os que se fecham no quarto, deitados moles na cama onde esperam sem sono; deixo ao
que fazem os que conversam nas salas, de onde as músicas e as vozes chegam cómodas até
mim. Sento-me à porta e embebo meus olhos e ouvidos nas cores e nos sons da paisagem, e
canto lento, para mim só, vagos cantos que componho enquanto espero.
Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que
me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro
dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se
não o lerem, nem se entretiverem, será bem também."
Fernando Pessoa

terça-feira, 5 de maio de 2009

Confissões de cabeceira

Vida arteira
Que escreve na madrugada
Dois lados de uma estrada
descem pela ladeira;
Límpido amanhecer
As vezes me passam
sem eira e nem beira
solidão -
escolha de uma chance... inteira
Quê sonido é esse? no vácuo?
Passos na madeira
Olhos pestanejando... sonhando... acordando... murmuriando:
Brincadeira!
Hoje o amor recitou uma poesia do meio da bagunceira... Hmmm
A outra face agora é sarcástica
Correndo na bicicleta debaixo do céu azul
Ontem houveram sons do mar,
disco arranhado de tanto tocar...
Confissões de cabeceira!

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Relances do Eterno

Sinceridade embaçada,
Ventos ensurdecedores
Janelas quebradas
Som de imagens mudadas no eterno
Toques suaves de uma canção doce e ao mesmo tempo áspera...
Notas profundas em uma sinfonia uníssona...
Desperta sonhos, 
Lembranças esquecidas num mar distante como o sol...
Algumas levadas por brisas...
Outras por pedras
Frases pronunciadas suavemente...
silenciosamente harmônicas... um suspiro...
Será que ainda os pode ouvir
Em sua doçura eles são tão mortais... penetrantes!
Posso ser um amante... amo a vida, amo e amo tudo e tanto!
Posso ser amado... 
luzes são relances que vislumbram imagens... relances do Eterno...
Tênuas palavras eternizadas com sentimentos...
Instrumentos de poesia!