sábado, 29 de maio de 2010

Outono Interno

Fujo da poesia insistentemente
Pois essa me faz encarar a minha alma desnuda
Denotações de percepções, canções, intenções...
Em que todos se misturam...
Porém existe um lumiar de alvorecer do lado de fora
Enquanto aqui dentro se enebrece a minha alma
Frente a escoriações escondidas entre remendos ajuntados de um mosaico que nao se completa
Porém esta me atrai sorratereamente
Da mente demente, do incessante expoente da prosa incandecente
Do lado altivo, passivel de culpas e memorias
Da caminhada em meio à selva que se ergueu, comprida...
Na cidade dos horizontes belos, de cantos alegres...
De simpaticos olhares e de ventos refrescantes
De percepções de um céu extremamente e externamente azul...
Enquanto eu, Inóspito em um ar frio de outono interno.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Pós-Modernidade do ser

Vivo uma vida vazia, cheia de nada... de palavras, e mais nada...
Oculta entre sorrisos e máscaras, porém sem que eu seja notado
E sem que isso me incomode
Porque percebo que todos vivem da mesma forma que eu
E os vazios se interagem de informações fúteis e convenientes

Meu céu está pintado de cinza, que ás vezes se confunde na luz com azul,
Porém somente por causa de meras percepções

No fundo, um desejo por significância,
Talvez sobreposto àquele que realmente exista,
Mas o que existe e o que não existe se tornaram realidades construídas

De certa forma, os rostos ao meu redor são tão semelhantes...
As palavras soam tão parecidas
E de certa forma, vejo todos buscando algo diferente
Quando parece que somos todos iguais
E essa diferença possa nunca existir neste ciclo limitado de vida...

Esperança?
Dispostos internos e instâncias voláteis de um mundo de sonhos
Trazidos à realidade, ou levados à irrealidade
Não que seja exatamente a verdade, mas talvez seja somente aquela que queremos que seja


A proximidade e intimidade pode nos assustar
E revelar algo de mim demasiadamente, algo que persisto em esconder
Evito insistentemente encarar de frente as coisas, encarar a mim mesmo
E fico em estado de choque em que isso seja visto pelos outros

Meus ídolos de longe deixaram de ser reais
Se tornaram simplesmente conceituais
Construídos pelos meus próprios desejos de ser, ou desejos de não ser
Desejo de ser visto, ou de deixar de ser visto

Assim, me escondo na minha própria caverna
E contemplo o reflexo da minha própria sombra
Enquanto lá fora resplandece uma luz forte
Mas aqui dentro são trevas irremediáveis

Faço disso o meu cenário
Bem caracterizado e caracturizado, assim como meus ídolos
Assim como a interatividade cosmopolita me permite
Enquanto estou em um espetáculo intrínseco
Sobre um palco que nunca existiu
Onde o meu ser é virtual.